A porta

Observo-a, como observaria qualquer outra coisa,
Paisagens vulneráveis,
Paradigmas estagnados, 
Semblantes de um ciclo novo. 

Observo-a, passando rápido pelos vãos,
Encolho os pés,
Sinto o frio de estar por dentro, 
Você por fora,
Tudo é visionário, 
Como o mesmo itinerário de amanhã.

Me cegue se não for a chuva.
Me molhe se não for o sol.
Me ame se não for a Marte.
Viaje em mim como se fosse outono.

Observo-a, feito pássaros em seus galhos
Deito-me em lenços,
O seu perfume exala como chamas no seco, 
Flores nascem da sua alma.

Observo-a, passando mais uma vez pelas portas,
Espero pelo dia em que você entre,
Entre em mim, 
No mesmo instante em que eu começo a colorir seus olhos, 
E assim, se transformando em presságios para o meu passado. 

Me queime se não for tolo, 
Me adube se não for planta, 
Me mate se não for Urano,
Navegue em mim como se fosse Veneza.

Observo-a, distante de todos, 
É o momento da despedida,
Musicas soam com o vento, 
Momentos guardados na memoria. 

Observo-a, dessa vez de dentro, 
Em minha melodia se faz presente, 
Meus olhos acabam ficando ausentes, 
De dentro pra fora, 
Sou sortudo por te observar.


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